Entrevista blog Plastidicas: Fabiano Fausto

Já fazia algum tempo que eu queria abrir este espaço no Plastidicas, onde pudesse apresentar modelistas que se destacam em suas peças, que façam um modelismo um pouco diferente, ou que sejam bons, ou divertidos… Enfim, um espaço para falar das pessoas que se dedicam ao hobby. E pra inaugurar este espaço, o modelista curitibano Fabiano Fausto.

Na verdade Fabiano é joinvilense, mas mora em Curitiba já faz muito tempo. Ele não é plastimodelista, e sim, modelista. Seu foco principal é construção de edificações dos mais variados tipos: casas de madeira, que são muito comuns na região em que vive, postos de gasolina, estabelecimentos comerciais e até ruas inteiras. Seus trabalhos já fizeram parte de vídeo-clipes e também de uma campanha contra trotes telefônicos. Seu trabalho é muito detalhado, o que mostra a pesquisa que faz para cada peça. As cores são muito bem aplicadas e o envelhecimento aplicado é exato. Nem mais e nem menos do que o necessário. E pra conhecer um pouco mais desse modelista, uma pequena entrevista abaixo, seguida de um pequeno álbum com algumas fotos de seus trabalhos.

1 – Fale um pouco sobre você, tipo nome, naturalidade, família, formação, residência…

Meu nome é Fabiano Fausto, nascido em Joinvile/SC, porém moro ja em Curitiba/PR desde 1972.

2 – Quando começou a se interessar pelo modelismo? Conte a sua história…

Acho que os carros antigos são os grandes responsáveis pelo inicio de toda essa história, um dia visitando uma loja de modelismo avistei algumas miniaturas de carros e resolvi comprar um modelo, depois de tempo comecei uma pequena coleção de carros na escala 1/24 porém todos eram em “die cast” que são miniaturas de ferro.
Um dia pesquisando na internet sobre miniaturas acabei me deparando com uns dioramas de um cara chamado Antonio Lima Anjoly, fiquei impressionado com o realismo das miniaturas que ele fazia, eram dioramas de casas antigas, partes de cidades e oficinas mecânicas, e estações de trem, naquele dia resolvi que tentaria fazer miniaturas, apesar de não ter ideia de como poderia faze-las, que material usar nem nada, foi o começo de uma longa busca por conhecimento e pesquisa.

3 – E, atualmente, qual a importância do modelismo na sua vida? É apenas um hobby ou já passou a ser algo mais?

Bem, eu gosto muito de fazer estas miniaturas, com o tempo tive que arrumar uma peça em casa só para poder trabalhar nelas, como se fosse um “atelier”, fui comprando material e ferramentas conforme ia aprendendo. Ainda vejo todo esse trabalho como um hobby, apesar de ter feito já alguns trabalhos bem legais em que tive até um retorno financeiro.

4 – Fez algum curso?

Não, tudo que aprendi a fazer foi com muita pesquisa na internet, conversando com pessoas e trocando informações.

5 – Qual o primeiro trabalho que você desenvolveu? Como isso surgiu?

O primeiro trabalho encomendado, foi de uma pequena produtora de clipes musicais aqui de Curitiba/PR, eles tinham um projeto com 3 músicos já bem conhecidos da nossa MPB, Milton Nascimento, Fernanda Takai, e o Arnaldo Antunes, eram 3 clipes que faziam parte de uma história, eu ajudei a fazer o clipe do Arnaldo Antunes com a música: “A casa é sua”, com um enorme diorama de uma rua com prédios em volta e no centro ficava a casa que era meio que o foco da história, foi feito toda uma animação em stop motion, foi muito bacana esse trabalho.

Clipe: https://www.youtube.com/watch?v=qCngBU7VBeI

6 – Isso abriu portas para novos trabalhos?

A sim, este projeto foi levado para diversos festivais de animação inclusive fora do pais, houve uma grande divulgação em muitos canais do ramo, isso trouxe reconhecimento e divulgação do meu nome na mídia.

7 – Você considera o modelismo uma forma de arte? Fale um pouco sobre isso…

Creio que sim, principalmente em trabalhos que você mesmo possa criar algo com suas próprias mãos algum objeto, transformar materiais simples em algo, ja aquele modelismo de montagem de modelos comprados nas lojas acredito que não se encaixe como arte, a não ser que você faça um diorama para ele, isso ja requer criatividade extra.

8 – Fale um pouco das suas exposições e de como elas surgiram.

Bem, da mesma forma com a exposição na mídia, começaram aparecer convites para eventos diversos, inclusive encontro de plastimodelismo, fui em alguns mas nunca achei que meu trabalho tivesse ligação com esse tipo de evento, até porque eu usava de tudo que é material, e alguns dos meus dioramas eu usava carros em die cast, e o pessoal do plastimodelismo não me via com bons olhos nos eventos, conheci bastante gente boa nos encontros, mas a maioria olhava torto mesmo, participei mais uns dois encontros e deixei de lado.

Depois de mais alguns trabalhos e muitas entrevistas em programas de TV surgiu uma grande exposição, essa sim foi relevante porque tinha o patrocínio do governo do estado aqui do Paraná, houve uma imensa divulgação em TV revistas e jornais do estado, sem contar que a exposição foi em um predio público da cidade e no centro da capital, muito bem localizado com entrada franca onde centenas de pessoas puderam conhecer meu trabalho, algumas cidades e escolas vieram até em caravana para visitação, muita gente de outros países que estavam visitando Curitiba também puderam ver a exposição, foi excelente.

9 – Você comercializa suas peças? Aceita encomendas? Acredita que poderia ser um modo de vida?

Comercializo quando vale a pena, nunca comecei a faze-las com este intuito, e como elas demoram um bom tempo para ficarem prontas, o retorno financeiro tem que compensar, geralmente trabalhos publicitários são compensadores, de outra forma prefiro mante-las em minha coleção pessoal mesmo.

Bem, com quase 10 anos fazendo as casinhas, não acredito que um dia possa viver somente delas, em se tratando do Brasil vejo como impossível, visto que não temos essa cultura com miniaturismo ou modelismo, diferente da Europa e principalmente o Japão, tenho amigos nesses lugares e muitos vivem fazendo trabalhos e ganham patrocínio das empresas que fazem produtos para o ramo de modelismo, mas aqui acho difícil de acontecer.

10 – Aonde o plastimodelismo entra em seu trabalho? Qual a importância dele na composição de suas peças?

Hoje só uso plastimodelos quando quero fazer uma oficina de carros ou um ferro velho, ou preciso de alguma figura humana compondo o diorama, do contrário só uso material alternativo mesmo.

11 – Nota-se em alguns de seus trabalhos uma influência da década de 50 e, em outros, uma forte expressão da realidade atual. Quais os motivos disso?

Desde minha infância, já gostava muito de carros antigos das décadas de 50, 60 e 70, além disso, como eu morava bem no centro de Curitiba, era comum andar pelas ruas da cidade e observar aqueles antigos predios abandonados, com o tempo, isso ja depois dos meus 30 anos comecei a ter muito interesse por outras
coisas de épocas mais antigas como cinema, música, fotografias.

12 – Quais as principais dificuldades que você encontra? Materiais, referências, ferramentas?

A dificuldade é grande, materiais para vegetação, figuras humanas, no geral so se encontra material importado, o que não sai barato, muita coisa eu mesmo acabo fazendo, mas é claro que um material especifico e de boa qualidade faz muita diferença no realismo da peça.

13 – Como você vê o atual momento do modelismo no país, considerando todas as suas vertentes?

Difícil dar uma opinião sobre esse universo, até porque eu não participo de grupos relacionados ao assunto, e o unico evento que vou aqui na cidade ocorre uma vez por ano, quando vou é só para comprar algum material, e não troco muita ideía com o pessoal.

E para conhecer mais sobre ele, basta acessar o seu blog ou então a sua página no Facebook. Endereços aí em baixo.

http://maqueteartistica.blogspot.com.br/

https://www.facebook.com/fabianofaustominiaturas/

É iso aí !!!
Fernando Zavarelli